Expedição 4×4 Amazônia: o relato de um aventureiro | PARTE 6

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5 minutos para ler

Desbravar a Amazônia enfim deixou de ser apenas parte dos planos. Estávamos na BR 319, uma das estradas mais desafiadoras que já estive, rumo a Manaus. Junto a nós, em nossa expedição 4×4 na Amazônia, estavam caminhões, tratores, ônibus, pedestres. Um verdadeiro caos!

Quer saber como termina essa história? Continue a leitura e divirta-se!

Estratégias para enfrentar a BR 319

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Ainda na BR 319, rumo a Manaus, em um determinado dia, fiquei sem tração traseira em meu carro. No outro, fiquei sem a dianteira, ou seja, totalmente aleijado. Então iniciamos uma nova técnica. Meu carro passou a ser rebocado diretamente.

Se recorda da “técnica Amazônica” para ser rebocado pelos caminhões? Então, tivemos que incrementá-la.

Quando surgia um atoleiro, os americanos passavam com o carro com guincho até o outo lado. Daí eu era rebocado por nosso outro carro de apoio, quase tão deficiente quanto o meu. E nos lançávamos, aceleradamente em meio ao problema.

Passamos assim a atolar em dupla. Daí, o que viesse era lucro. Caso houvesse algum caminhão na parada, teria que nos tirar dali caso não, utilizávamos o guincho do carro americano.

Mas ainda pioraria. Os carros americanos eram automáticos. Logo, em alguns dias de esforço já não podiam mais me rebocar. Um deles já quase não podia se auto locomover.

Em um desses dias, depois de dezoito horas de trabalho, havíamos percorrido apenas cinco quilômetros.

Na minha derradeira atolada, um caminhoneiro mal humorado, sendo obrigado a me puxar com o cabo de aço, simplesmente arrancou toda a frente do meu carro. Lá se foi, grade, para-choque, radiador mangueiras, ventiladores etc. Ele apenas balançou a cabeça negativamente, catou seu cabo de aço e foi embora acelerando.

Acampados no meio da estrada

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À noite, dormíamos em nossos próprios carros. O ronco dos caminhões tentando vencer a estrada era o pano de fundo para o silencio da floresta. E se ouvia muito bem, pois a grande maioria deles já não tinha mais o escapamento.

Acho que ainda faltavam uns trezentos quilômetros para Manaus. Resolvemos então abandonar meu carro, pois era um peso morto. Achamos uma casinha com um pequeno pomar, próximo a um vilarejo abandonado e deixamos o carro sob a guarda de um garimpeiro. Ele nos pediu, em troca da ajuda, assim que alguém de nós voltasse, duas caixas de chumbo para sua espingarda.

Rumo à Manaus

Agora éramos três carros. Eu e o fotógrafo passamos a passageiros. Os perrengues continuaram na nossa expedição 4×4 na Amazônia por dias a fio.

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Ônibus destruídos e abandonados, outros sendo empurrados pelos passageiros. Gente prostrada pela malária. Postos de gasolina e pequenos vilarejos abandonados e depredados. Gente perdida a todo instante, sem saber o que fazer, carregando crianças, velhos sendo transportados sobre as carrocerias dos caminhões. Filas de gente a pé. E infindáveis e aterrorizantes atoleiros.

Nos rios mais largos com balsas, perdíamos horas para a travessia. Nos mais estreitos que ainda tinham pontes, a travessia era arriscada. Em uma das balsas, um ônibus havia caído nas águas há poucas horas. Parecia que todos tinham se safado.

Já em uma das pontes, um caminhão havia despencado e estava lá embaixo, só com a cabine de fora. Conseguimos ainda um pouco de comida em uma casa que nos serviu frango frito. Mas não vi nenhum frango por lá. Havia, sim, muitos urubus…. Na hora da fome, ninguém ousou fazer qualquer pergunta!

Assim chegamos à Manaus, depois de dez dias, com uma euforia de sobreviventes. No hotel Tropical, no qual não nos queriam deixar entrar. Só porque estávamos, vamos dizer assim, de lama até o fundo do olho e com nossas roupas dentro de sacos pretos de lixo. Chatos!

O retorno para São Paulo

De lá, voltei de avião para São Paulo. Os nossos carros de apoio haviam sido emprestados pelo fabricante e eu teria muitas explicações a dar. Dez dias… perdidos. Lembrando que não havia celulares na época e muito menos telefones na estrada. Assim, acho que todos estavam um pouco preocupados conosco.

Nosso outro carro de apoio passou por uma pequena reforma em Manaus e seguiu viagem até Caracas, na Venezuela, assim como os dos americanos. De Manaus para cima, incrivelmente, as estradas eram de terra, mas boas.

E a expedição 4×4 Amazônia continuou?

Sim! A equipe seguiu com o levantamento do rally até a Califórnia. Mas jamais se realizou como o planejado. Nosso segundo carro de apoio voltou de Caracas a Manaus. Cinco meses depois, tanto o meu, quanto o outro foram despachados para São Paulo, de barco e caminhão cegonha.

O garimpeiro recebeu seu chumbo. A BR 319, depois disso, permaneceu abandonada, uma verdadeira estrada fantasma. Só está sendo refeita agora, 36 anos depois.

Seguramente foi o mais dramático teste feito em um 4×4 nacional até então. Mas sem querer, conseguimos, depois de tanta aventura e desespero, fazer do limão, uma boa, inesquecível limonada.

Enfim fomos conhecer, finalmente, a Amazônia, como ela realmente era, desnuda, sem romantismo. E vivemos felizes para sempre!

O que achou dessa aventura pela Amazônia? Conta para nós aqui nos comentários. Sua opinião é muito importante! Aproveite para acompanhar nossas dicas no nosso perfil no Instagram, já nos segue lá?

Confira todos os capítulos dessa aventura:
Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5

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4 thoughts on “Expedição 4×4 Amazônia: o relato de um aventureiro | PARTE 6

  1. Fantástico, sensacional.
    Queto muito fazer, mas, na época da seca. Não tenho tanta coragem assim…rsrsrs…
    Meu veículo é uma Pajeto Dakar diesel 4 x 4 2013, acredito que consigo, tranquilamente.
    Parabéns pela aventura e um verdadeiro off road….
    Abraços!!!

    1. Oi Marcos, tudo bem?
      É um destino realmente incrível e super difícil.
      Ficamos felizes que tenha gostado do conteúdo.
      Desejamos boa sorte nessa sua aventura e depois compartilhe conosco como foi, adoramos uma história!
      Um abraço!

  2. Relato incrível! Fui acompanhando cada uma das partes e me fez percorrer cada trecho através do imaginário. Certamente será uma das aventuras a serem feitas num futuro breve 4×4… E Nelson, isso renderia facilmente um livro, incluindo as fotografias dessa época e também suas outras histórias e aventuras. Pense nessa ideia e parabéns!

    Fica outra sugestão para incluir o link das partes que foram inseridas posteriormente no final de cada uma delas (como nesta última parte), assim poderão ler sequencialmente com maior facilidade 🙂

    Abraços!

    1. Oi Tiago,
      Ficamos muito felizes que você tenha gostado. Realmente o Nelson de Almeida Filho consegue, através das palavras, fazer com que a gente viva os momentos com ele!
      Agradecemos a sugestão, e já incorporamos nos textos!
      Ah e já temos mais aventuras no ar, desta vez no Pantanal. Já conferiu?
      Um abraço!

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