Expedição 4×4 Amazônia: o relato de um aventureiro | PARTE 2

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A ideia de realizar uma expedição 4×4 na Amazônia e desbravar um Brasil desconhecido e quase inexplorado, sempre esteve em meus planos. Além disso, não era apenas uma viagem a bordo de um veículo 4×4 na maior floresta tropical do planeta, mais sim uma experiência de vida.

Felizmente participei de diversas expedições à Amazônia, cada uma delas sempre diferente, mas sempre em busca de uma aventura 4×4 radical. E sem dúvida, muitos perrengues que só o off road pode proporcionar.

Nada como um convite para auxiliar um grupo de americanos no levantamento de um rally para me levar à Amazônia pela primeira vez. Uma daquelas aventuras que talvez jamais aconteça novamente.

Quer saber como foi a minha primeira expedição 4×4 na Amazônia? Continue a leitura!

Minha primeira expedição 4×4 na Amazônia

Meu primeiro contato com a Amazônia foi em 1985, quando acompanhei um grupo de americanos dando apoio ao levantamento do que seria o maior rally do mundo, o Amerathon.

Esse rally pretendia sair de Los Angeles, descer todo o continente americano pelo lado do Pacífico até a cidade mais austral do mundo, Ushuaia. Mas não acabaria lá! Em seguida, retornaria subindo a costa do Atlântico até o Brasil, por onde adentraria o interior chegando à Manaus.

Logo depois, seguiria para Venezuela, os demais países da América Central e do Norte, chegando ao Alasca e retornando para a Califórnia. Um “ralizinho” simples, nada anormal.

63.000 quilômetros que eles queriam fazer em dois meses! 

O levantamento do Rally Amerathon

O levantamento de roteiro teve duas fases em duas datas diferentes. Na primeira, saímos de Foz do Iguaçu com destino à Brasília. Apesar de, nessa época muitas das estradas do interior do Brasil ainda serem de terra, o levantamento ocorreu sem percalços.

A não ser a baixa de nosso carro de apoio, quase chegando em Brasília, com a correia dentada partida. Contudo, os americanos, dois organizadores e dois jornalistas estavam equipados com veículos 4×4 robustos e cumpriram o percurso sem problemas.

Posteriormente, na segunda etapa, meses depois, nossa meta era a Venezuela. O plano era sair de Brasília, adentrar o Mato Grosso, passar por Cuiabá, Porto Velho em Rondônia, Manaus, Boa Vista e finalmente, chegar em Caracas.

No entanto, após a primeira fase do levantamento, percebemos que nosso carro de apoio não aguentaria tal empreitada. Assim, nos munimos de duas picapes médias 4×4, novidades do mercado brasileiro. Afinal, essa era uma parte do Brasil que desconhecíamos, com muita terra e areões e atravessaríamos a Amazônia!

Merecíamos estar bem equipados como a equipe americana, melhor, até, pois nossos carros eram zero km. Seria um caminho de ida e volta, completando uns 12.000 km.

A viagem para a Amazônia

Nessa época, não havia asfalto além de Brasília. Assim, nossos carros de apoio já começaram a dar o ar da graça ainda em Goiás. Eram estradas de areões com lama, onde descobrimos, da pior forma possível o quanto uma marcha reduzida fazia falta.

Nossa preparação de meses para essa viagem havia extrapolado qualquer dúvida quanto aquilo que realmente necessitaríamos utilizar para nossa sobrevivência. Ou seja, carregávamos de tudo e mais um pouco. De acordo com o manual o limite de para carga máxima era de 600 kg, tenho certeza de que deveriam estar no seu limite.

Eventualmente descobrimos também que há uma grande diferença de compromisso entre um simples carro 4×4, derivado de um automóvel, cuja função é apenas ajudar no deslocamento onde um 4×2 teria dificuldades. E um 4×4 off road com todas as suas peças e sistemas preparados para trabalhos pesados.

Os perrengues começaram

Nossos problemas começaram com as embreagens que não aguentavam. Depois a suspensão dianteiras, suportes e amortecedores, depois o resto. Nossas lições diárias se repetiam e, aos poucos fomos deixando uma série de tranqueiras pesadas para trás de forma a ajudar o pobre carro.

Na verdade, estávamos abusando bastante da capacidade das pick-ups de apoio. Mas seguimos, com alguns atrasos para os consertos e outros sendo rebocados pelos gringos, que repetiam: – Good for the Rally, good!

“Bom, se tá good para eles, está better pra nós. Vamos que vamos.”

E fomos!

Chegamos à Amazônia

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Chegando a Porto Velho, a Amazônia nos deu as suas boas-vindas de forma bem apropriada.

No escuro, uma fileira imensa de caminhões dos dois lados da estrada quase não nos dava passagem. Mais à frente um destacamento da Polícia Rodoviária tentava organizar o que parecia um caos no trânsito daqueles mamutes.

Enfim estávamos à beira do Rio Madeira, o qual deveríamos obrigatoriamente atravessar de balsa. O Rio parecia o mar, de tão cheio. Além disso, havia um povo, motoristas e ajudantes, muitos já acampando, fazendo fogueiras e cercando os rodoviários.

Para onde vocês vão? – Perguntou o guarda, depois de averiguar documentos e querer saber tudo dos americanos.

– Manaus e Caracas. – Respondemos.

-Não vão, não! – exclamou o guarda – Podem voltar daqui.

Seria esse o fim da nossa expedição 4×4 na Amazônia? Ou melhor, não aconteceria mais a expedição?

Isso você saberá na semana que vem!

Mas que tal nesse meio tempo visitar nosso canal no YouTube a ficar a par das nossas aventuras pelo Brasil e América do Sul?

No entanto, se você quer saber como começou essa ideia de uma aventura 4×4 para a Amazônia, clique aqui!

Até breve!

Confira todos os capítulos dessa aventura:
Parte 1 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5 | Parte 6

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